A criança mal acolhida e sua pulsão de morte

Nesse lindo texto, o psicanalista húngaro Sandór Ferenczi propõe que, quando uma criança cresce em um ambiente no qual sua existência não é verdadeiramente desejada, algo fundamental se quebra muito cedo.
A chamada “criança mal acolhida” é aquela que percebe que sua presença é vivida como um peso, um erro ou um incômodo pelos adultos responsáveis por ela.
Diante disso, a criança pode desenvolver uma renúncia precoce ao próprio desejo de viver.

Ferenczi aponta a importância de uma maior elasticidade técnica nesses casos. Ainda assim, o trecho destacado do texto nos traz uma lição que vale para qualquer paciente — e também para nós mesmos: a difícil tarefa de aceitar as falhas que existiram no ambiente e em nosso passado, para que seja possível buscar a felicidade por outros caminhos, em outras relações.

Lembra do ditado “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”? Aqui, talvez seja mais possível que a água encontre outras passagens. Muitas vezes, ela seca de frustração antes que a pedra ceda.
Reconhecer o que faltou é importante não para produzir paralisia, mas para que outras soluções possam ser pensadas, levando em conta a realidade do que aconteceu.

Processo árduo? Sim. Mas a alternativa costuma cobrar um preço mais alto. Por isso o processo analítico é tão importante, já que é um espaço singular para esses novos horizontes se tornem possíveis.
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