Por que a psicanálise? Ou melhor: por que escolhi a psicanálise?



A resposta não passa por grandes conceitos teóricos, nem pela tentativa de fazer um apanhado de toda a minha vida. A psicanálise só fez sentido para mim quando cortou minha carne.

Durante a faculdade, eu me interessava mais por outras abordagens. Não sei se pela forma como a psicanálise foi apresentada na maioria das aulas (o que renderia um texto à parte), mas tudo me parecia absurdo demais, abstrato demais, datado demais.

Logo após a formatura, surgiu a possibilidade de iniciar uma análise com uma professora com quem eu me identificava muito. Aí, a coisa mudou de figura. Aquilo que eu achava absurdo na teoria começou a sair, naturalmente, da minha própria boca. De forma quase clichê, pude reconhecer em mim mesma aqueles conceitos tão abstratos que antes eu não compreendia.

Mais do que isso, vivi na prática a experiência de uma relação analítica. E tudo aquilo que eu via como datado foi, aos poucos, me ajudando a olhar o mundo, e a mim mesma, de outra maneira. É um processo gostoso e agradável?
Muitas vezes, não. E talvez isso seja justamente o que o torna singular em um mundo que privilegia a obtenção de prazer imediato o tempo inteiro.

Você pode perguntar: se é desagradável, demorado, caro, por que continuar?
Porque funciona.

Porque me ajudou em momentos extremamente difíceis e continua me ajudando à medida que, na relação com outro ser humano, posso colocar os dois pés na água e ir me aprofundando, conhecendo os rincões de mim mesma, com a segurança de que não vai faltar oxigênio, de que posso submergir e voltar.

É esse processo, doloroso como costumam ser as grandes transformações, que possibilita uma relação melhor comigo mesma e, consequentemente, com os outros. Ele também me ajuda a reduzir meus pontos cegos e a estar mais disponível para meus pacientes, da forma mais autêntica possível.

Tudo isso para dizer que, para quem se interessa pela psicanálise, vivê-la na carne é imprescindível. E que é impossível pensar um analista que não se analisa.
E, para qualquer pessoa que reconheça em si algum sofrimento: experimente.
O que você tem a perder, além do próprio sofrimento?

Se quiser conversar sobre isso, estou disponível.
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